Durante a investigação, surgem elementos que revelam as relações sociais, o bullying, a pressão dos pares e a busca por pertencimento. A adolescência é uma fase marcada por hipersensibilidade social e considerando que neste período a exposição à violência está associada a déficits no controle inibitório, os quais se correlacionam com uma menor ativação da rede frontal cerebral, podemos admitir que o comportamento do adolescente guiado e coordenado pelo cérebro se caracteriza por respostas e reações de maior intensidade à aceitação ou rejeição do grupo, ou seja, situação de inclusão e exclusão social.
Essa sensibilidade social está relacionada ao sistema de recompensa cerebral, principalmente ao circuito dopaminérgico. Durante a adolescência, esse sistema se torna mais responsivo, tornando os adolescentes mais suscetíveis a estímulos prazerosos, incluindo não apenas recompensas materiais, mas também recompensas sociais, como a aprovação dos colegas. Fisiologicamente, há um aumento na densidade das fibras dopaminérgicas no córtex pré-frontal, especialmente na região pré-límbica, associada às emoções e sensibilidade a recompensas. Esse incremento está associado a uma maior modulação dos receptores, que são os canais que vão receber a dopamina e guiar o comportamento. Isto, por sua vez, contribui para a intensificação da sensibilidade às recompensas.
Essa hiperatividade dopaminérgica pode explicar a propensão dos adolescentes a buscar novas experiências e assumir riscos, influenciados pela expectativa de recompensas sociais ou emocionais. Com isso, comportamentos de risco ou atitudes imprudentes muitas vezes são motivadas por necessidade de aprovação e medo de exclusão.
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O homem deve saber que de nenhum outro lugar, mas apenas do encéfalo, vem a alegria, o prazer, o riso e a diversão, o pesar, o luto, o desalento e a lamentação. E por isso, de uma maneira especial, nós adquirimos sabedoria e conhecimento e enxergamos e ouvimos e sabemos o que é justo e injusto, o que é bom e o que é ruim, o que é doce e o que é insípido… E pelo mesmo órgão nos tornamos loucos e delirantes, e medos e terrores nos assombram…Todas essas coisas nós temos de suportar do encéfalo quando não está sadio… Nesse sentido, opino que é o encéfalo quem exerce o maior poder sobre o homem.
— Hipócrates, Sobre a Doença Sagrada (Séc. IV a.C.)